Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela - muitas, muitas vezes.
Já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto e ainda tive que cortar o cabelo.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser bailarina, astronauta, violonista, apresentadora de programa, mágica, atriz, veterinária e trapezista - te contei que tinha um circo em frente da minha casa?
Já quis ser outra pessoa várias vezes, já quis ser invisível, já viajei para lugares que eu não tinha a mínima noção de onde ficavam.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei muitos, muitos e muitos trotes por telefone.
Já toquei a campainha e sai correndo.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já acordei completamente apaixonada e fui dormir completamente decepcionada.
Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já fiquei horas sentada na praia olhando para o mar.
Já dei risada até a barriga doer.
Já raspei o fundo da panela de arroz para nunca ter que casar.
Já me cortei tentando depilar a perna sem ao menos ter pêlos.
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas ou pra comer nuvens de algodão doce.
Já tive amigo imaginário.
Já subi em árvore para roubar fruta, já caí da escada de bunda - meu coquis é trincado, essa você não sabia??!!
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante - tenho esse bilhete até hoje!
Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só – EU.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar - e olha que eu não sei nadar, sorte que a piscina era infantil!
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima, já vi o mundo por debaixo e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial - Minha Maitê!
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já presenciei coisas sobrenaturais - ou eram naturais?
Já apostei corrida descalça na rua - quase perco os dedos.
Já gritei de felicidade, já roubei rosas de um jardim proibido.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Já briguei com os amigos por motivos fúteis.
Já fui do amor ao ódio em questão de segundos...
... Foram tantas coisas feitas, tantas emoções guardadas num baú no meu coração...
Talvez eu viva apenas para plantar sonhos ou então...
Simplesmente ainda não descobri!
Assim foi...
Penso que nem doeu!
Assim foi... esta é a vida!
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
Brazilian day, de quem?
Minha querida
Este nosso país está mesmo muito estranho!
Quase ao mesmo tempo em que se divulga em rede multimidiática nacional o pronunciamento presidencial focando minhas “queridas brasileiras e queridos brasileiros”, pelo qual é anunciado nosso vitorioso ingresso no mundo dos conquistadores e dominadores das tecnologias de exploração em águas profundas (ah! Lobato me diga se com uma colher de pré-sal + uma pitada de açúcar oriundo de cana + um copo com água doce e potável ainda podemos produzir soro caseiro?) para construirmos, simbolicamente, "uma ponte direta entre riqueza natural e erradicação da pobreza"; quase ao mesmo tempo em que se divulga que precisamos proteger e vigiar a Amazônia, utilizando as novidades dos satélites (de quem?) e das traquitanas internéticas; em que é noticiado que uma brasileira grávida de um mulçumano se dá mal no Líbano, e foge dramaticamente para a Síria (que Alah os ajude!), eis que estou aqui, no velho quarto de hotel, meio que próximo à quarta av, pensando na coleção de discos de vinil de Charlie Parker.
Não tenho certeza se Parker tocaria para um milhão em plena sexta av em um simples trinta e um de agosto. Não é uma data muito emblemática!
Hoje sim, porque é sete de setembro, dia em que se comemora a independência...
Independência entendeu?
“Viva o Brasil!
Viva o 7 de setembro!
Viva o povo brasileiro!”
Este nosso país está mesmo muito estranho!
Quase ao mesmo tempo em que se divulga em rede multimidiática nacional o pronunciamento presidencial focando minhas “queridas brasileiras e queridos brasileiros”, pelo qual é anunciado nosso vitorioso ingresso no mundo dos conquistadores e dominadores das tecnologias de exploração em águas profundas (ah! Lobato me diga se com uma colher de pré-sal + uma pitada de açúcar oriundo de cana + um copo com água doce e potável ainda podemos produzir soro caseiro?) para construirmos, simbolicamente, "uma ponte direta entre riqueza natural e erradicação da pobreza"; quase ao mesmo tempo em que se divulga que precisamos proteger e vigiar a Amazônia, utilizando as novidades dos satélites (de quem?) e das traquitanas internéticas; em que é noticiado que uma brasileira grávida de um mulçumano se dá mal no Líbano, e foge dramaticamente para a Síria (que Alah os ajude!), eis que estou aqui, no velho quarto de hotel, meio que próximo à quarta av, pensando na coleção de discos de vinil de Charlie Parker.
Não tenho certeza se Parker tocaria para um milhão em plena sexta av em um simples trinta e um de agosto. Não é uma data muito emblemática!
Hoje sim, porque é sete de setembro, dia em que se comemora a independência...
Independência entendeu?
“Viva o Brasil!
Viva o 7 de setembro!
Viva o povo brasileiro!”
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